A vereadora do PSD na Câmara Municipal de Vila do Conde, Luísa Maia, acusou o Presidente da autarquia, Vítor Costa, de “ostracizar a oposição”, apontando como exemplo uma polémica em torno de uma fotografia das comemorações do 25 de Abril.
Em causa está uma imagem publicada nas redes sociais da autarquia, numa cerimónia de homenagem aos ex-combatentes, em que, alegadamente, Luísa Maia e Elizabeth Real, outra vereadora do CDS-PP, terão sido ‘apagadas’, digitalmente, da fotografia.
“Nós estávamos lá. Não há ninguém que possa contestar isso. Mas alguém retirou a nossa presença dos registos”, garantiu a vereadora Luísa Maia.
Segundo Luísa Maia, a maioria do PS que governa a autarquia, sob a liderança de Vítor Costa, tem “uma prática recorrente” de não divulgar elementos da oposição nos registos fotográficos institucionais.
“No site e nas redes sociais da Câmara não há um único registo em que nos encontrem [vereadores da oposição], apesar de eu ter estado presente em todos. Estamos sempre num lugar em que nunca há objetivas, se por acaso nos apanharem, somos cortados”, sustentou Luísa Maia.
A vereadora do PSD apontou que, “desde o início do mandato, o Presidente da Câmara tem uma atitude de ostracizar completamente a oposição”, considerando que a situação da imagem divulgada pelo município nessa cerimónia inserida nas comemorações do 25 de Abril “é apenas a ponta do iceberg”.
“Há uma atitude por parte do Presidente de Câmara de ostracizar completamente a oposição. Nas quatro cerimónias em que fomos convidados, os vereadores da oposição são sempre remetidos para uma segunda fila, enquanto os elementos do PS ficam na primeira fila”, afirmou a vereadora do PSD de Vila do Conde.
Luísa Maia considerou que esta situação representa uma falta de respeito pelos eleitores e lamentou “a falta de respeito pela pluralidade”, apontando, ainda, que as transmissões, em vídeo, da Assembleia Municipal de Vila do Conde, deixaram de ser emitidas.
“Não posso deixar que 13 mil pessoas que votaram em mim não sejam respeitadas. Somos o maior partido da oposição. Mais do que focar na fotografia, há aqui um ponto essencial. Estivemos sempre presentes e não somos visíveis na comunicação municipal”, referiu Luísa Maia.
A vereadora garantiu, ainda, que apesar da pressão, vai manter a sua posição e denunciar mais casos que possam surgir.
“Houve um ‘bullying’ para ver se eu desisto. Mas não vou desistir. Seja qual for o lugar que me derem, eu lá estarei”, afirmou Luísa Maia.
Contactada, a Câmara Municipal de Vila do Conde rejeitou as acusações, garantindo que não houve qualquer manipulação da fotografia em causa.
“A imagem partilhada corresponde a um momento específico das comemorações e foi captada antes da presença das senhoras vereadoras referidas”, indicou fonte oficial da autarquia, acrescentando que a sua ausência “decorre exclusivamente da sequência temporal dos acontecimentos”.
O executivo liderado por Vítor Costa sublinhou ainda a “defesa inequívoca da idoneidade dos trabalhadores e dos serviços municipais”, considerando que as acusações da oposição são “infundadas”.
“Levantar tais acusações infundadas revela uma postura reprovável e condenável, que suscita sérias reservas quanto à sua convivência com os valores e práticas próprias de uma democracia responsável”, pode ler-se no esclarecimento da autarquia vila-condense.
A Câmara Municipal de Vila do Conde desafiou ainda os autores das alegações a apresentarem provas de qualquer manipulação, admitindo recorrer “às instâncias competentes” por considerar que podem estar em causa situações de “calúnia e ofensa ao bom nome e honra” da instituição.
O executivo da Câmara de Vila do Conde, é composto por nove elementos, cinco eleitos pelo PS, que detém a maioria, três da Aliança por Vila do Conde [coligação PSD/CDS] e um do Chega.