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Póvoa de Varzim instala sensores nas condutas de águas pluviais para prevenir cheias no concelho

10 Outubro 2026
Póvoa de Varzim instala sensores nas condutas de águas pluviais para prevenir cheias no concelho
Política
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A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim instalou oito sensores nas condutas de águas pluviais e duas estações meteorológicas no concelho, num investimento de 35 mil euros. O objetivo é recolher dados que permitam antecipar inundações em períodos de chuva intensa.
A presidente da autarquia, Andrea Silva, garante que está a trabalhar para tornar o território mais preparado para enfrentar fenómenos meteorológicos extremos. Já o PS critica a demora na conclusão do Plano Municipal para a Ação Climática (PMAC), aprovado há cerca de um ano e meio.
“É extremamente importante que a Câmara comece a ter um histórico dos comportamentos da rede de águas pluviais que nos permita avaliar e prevenir. Desde o início do outono, já tivemos três momentos, o que nos permitiu ler algumas realidades. Por exemplo, sabemos que, se aqui junto à Câmara, a conduta atingir um determinado nível de enchimento, em 20 ou 30 minutos teremos inundações na zona poente. Da mesma forma, se Penalves atingir ‘x’ metros, daqui a 20 minutos teremos água a transbordar no Bairro Sul. Isso dá-nos tempo, por exemplo, para ir sinalizar, levantar grelhas e tampas, etc.”, explicou Andrea Silva.
A autarquia pretende alargar a instalação de sensores a outras áreas do concelho, privilegiando “em zonas estratégicas do concelho”. A monitorização permitirá conhecer melhor o comportamento da rede de drenagem e identificar possíveis medidas preventivas.
O Bairro Sul continua a ser uma das zonas historicamente mais vulneráveis a inundações, exigindo um investimento conjunto dos municípios da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde. No entanto, o acompanhamento dos caudais poderá também ajudar a identificar e a encontrar soluções para outros pontos críticos.
A instalação dos equipamentos foi abordada na reunião do executivo municipal, na sequência de uma questão levantada pelo PS. Na terça-feira de manhã, os socialistas receberam relatos de várias zonas do concelho afetadas por inundações e falhas de eletricidade.
João Trocado aproveitou a ocasião para questionar o estado do Plano Municipal para a Ação Climática, que, em maio de 2025, recebeu “luz verde” e uma verba de 24.600 euros para avançar, com financiamento a 100% do programa Norte 2030 e da Área Metropolitana do Porto.
O vereador socialista salientou que os municípios vizinhos já dispõem dos respetivos planos e têm definidas as prioridades de investimento para minimizar os impactos das alterações climáticas. Na Póvoa de Varzim, considera, a resposta continua a ser sobretudo reativa, limitando-se a resolver problemas à medida que surgem.
Na crítica à atuação do executivo, João Trocado afirmou ainda que a presidente, “até hoje, fez zero em matéria de Ambiente”.
Em resposta às críticas, Andrea Silva explicou que o episódio de terça-feira foi provocado por um “fenómeno extremo”, durante o qual choveu mais em 15 minutos do que ao longo de toda a noite de 29 de setembro. A precipitação coincidiu ainda com a maré cheia, uma combinação que, segundo a presidente, limita a capacidade de escoamento da rede.
A autarca sublinhou que, nestas circunstâncias, “não há condutas que aguentem”. Ainda assim, destacou a rapidez da resposta aos problemas registados: a eletricidade foi “reposta em todas as situações menos de uma hora depois” e o caudal da água regressou à normalidade poucos minutos após a chuvada mais intensa.
Quanto ao Plano Municipal para a Ação Climática, que está a ser desenvolvido com o apoio do Centro do Clima, Andrea Silva garantiu que estará concluído “num curto espaço de tempo”, sem, contudo, avançar uma data concreta.