A insolvência da alemã Qimonda, antiga gigante dos semicondutores que chegou a ser o maior exportador de Portugal, continua a produzir efeitos financeiros em Portugal, mais de 15 anos após a falência.
Em 2025, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) recebeu mais de 5,1 milhões de euros, resultantes da recuperação de créditos associados ao processo de insolvência da empresa.
A agência pública admite a possibilidade de receber novos montantes no futuro, embora não existam garantias quanto à realização desses pagamentos. A concretização de eventuais recuperações dependerá da evolução dos processos de insolvência ainda em curso e das decisões tomadas pelas entidades competentes.
A AICEP esclarece, contudo, que não é possível antecipar o valor de futuros recebimentos, nem estabelecer um calendário para a sua concretização. Desta forma, apesar dos montantes já recuperados, o processo continua sem uma previsão definitiva quanto ao total que poderá vir a ser devolvido aos credores.
A história da Qimonda em Portugal está particularmente ligada à fábrica de Vila do Conde, no distrito do Porto. A unidade iniciou a produção em 1997 e chegou a empregar perto de 2.000 trabalhadores, assumindo um papel relevante na indústria tecnológica e nas exportações nacionais.
Apesar da falência da multinacional alemã, declarada em 2009, a fábrica portuguesa conseguiu manter-se em atividade através de uma nova estrutura empresarial. No final desse ano, a unidade deu origem à Nanium, uma empresa participada pelo Estado português, através da AICEP, que detinha 17,88% do capital, e pelos bancos BES e BCP, cada um com uma participação de 41,06%.
A criação da Nanium permitiu dar continuidade à atividade industrial da unidade de Vila do Conde, num contexto marcado pela crise da empresa-mãe e pela necessidade de preservar a capacidade produtiva e o emprego especializado.
Posteriormente, a Nanium foi vendida à norte-americana Amkor, grupo internacional especializado em serviços de montagem e teste de semicondutores. Entretanto, os processos associados à insolvência da Qimonda continuam a permitir a recuperação de créditos, mantendo consequências financeiras de um dos episódios mais marcantes da indústria tecnológica em Portugal.