Última hora

Autarca de Famalicão diz que há interessados em contratar trabalhadores despedidos da Coindu

24 Maio 2025
Autarca de Famalicão diz que há interessados em contratar trabalhadores despedidos da Coindu
Política
0

O presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão revelou que “algumas empresas do concelho já manifestaram disponibilidade e interesse” em contratar trabalhadores da Coindu, que avançou com um despedimento coletivo de 123 funcionários.
“Contactamos mais de duas dezenas de empresas do concelho e podemos até adiantar que de estes contactos temos já algumas respostas positivas com algumas empresas a manifestarem disponibilidade e interesse para contratar alguns destes trabalhadores”, adianta Mário Passos (PSD), numa reação à decisão da empresa.
O autarca lembra que Famalicão “é um concelho marcadamente têxtil” e que o tecido empresarial local “pode dar uma resposta ao nível da absorção destes recursos humanos”, que trabalhavam na empresa de componentes têxteis para o setor automóvel.
Em comunicado, a Coindu de Vila Nova de Famalicão justificou a decisão de avançar com o despedimento coletivo de 123 trabalhadores e o ‘lay-off’ de 237 com a “grave situação de crise” que enfrenta neste momento.
O presidente da Câmara de Famalicão olha para “toda esta situação com natural preocupação”, acrescentando estar a “trabalhar proativamente com várias entidades do concelho para que as respostas a esta situação inesperada não demorem”.
“Desde logo com o IEFP (Centro de Emprego) – para que estes trabalhadores possam ver a sua inscrição concretizada o mais rápido possível e para que possam beneficiar rapidamente do subsídio de desemprego. Com a própria Coindu – para que as negociações com os trabalhadores sejam céleres e para que vejam cumpridos todos os seus direitos”, sublinha Mário Passos.
No comunicado remetido na quinta-feira, a Coindu refere que “deu início a dois procedimentos de reestruturação organizativa”, nomeadamente um de ‘lay-off’, que abrangerá aproximadamente “237 trabalhadores, com a duração inicial de seis meses”, e um “despedimento coletivo”, de cerca de 123 trabalhadores, “dada a inexistência de alternativas por força da atual e projetada redução de atividade”.
Segundo a empresa de componentes têxteis para o setor automóvel, a “crise automóvel na Europa é conhecida e decorre de uma confluência de fatores económicos (forte recessão económica e consequente incerteza de mercado), ambientais e regulatórios (veículos elétricos e o seu elevado custo), tecnológicos e geopolíticos (barreiras comerciais e tarifas)”.
A empresa disse depois que a situação afetou, “desde o início do ano, mais de duas centenas de trabalhadores, em média, por mês, que embora dispensados da prestação de trabalho, mantiveram a retribuição por inteiro”.
Uma situação que, afirmou, “não é comportável por mais tempo, obrigando a que a administração da Coindu se veja forçada a tomar medidas de combate à grave situação de crise empresarial, de modo a prover pela respetiva sustentabilidade e viabilidade”.
Segundo o grupo, estas medidas têm “necessariamente de passar pela readaptação, reajuste e reestruturação da atividade produtiva” da empresa, ou seja, pela redução de pessoal.
Na mesma nota, a “administração da Coindu nota e faz notar que a implementação das referidas medidas foi prévia e devidamente dada a conhecer aos trabalhadores e respetivos representantes”, apontando a sua “firme intenção” de que “ambos os procedimentos decorram com a maior transparência e serenidade” e prometendo aos trabalhadores que “serão prestadas todas as informações e esclarecimentos”.
Na passada quarta-feira, Francisco Vieira, do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, disse que os processos de ‘lay-off’ e despedimento coletivo foram comunicados na segunda e na terça-feira, tendo a administração considerado que se trata de uma “inevitabilidade”.
Segundo Francisco Vieira, a Coindu conta atualmente com 1.170 trabalhadores em Famalicão.