Num encontro de surpresa que deixou a comunidade poveira em sobressalto, mais de 200 simpatizantes da extrema-direita radical reuniram-se, esta sexta-feira, na Póvoa de Varzim, para o festival de música “Masters of the Sea”.
A iniciativa, envolta em mistério, foi arquitetada em segredo pela fação portuguesa da rede supremacista branca Blood & Honour Portugal.
A rota e a morada exata do evento foram mantidas sob sigilo, tendo sido transmitidas aos detentores dos bilhetes apenas nos instantes antecedentes ao espetáculo, através de plataformas encriptadas – uma tática de clandestinidade recorrente em encontros anteriores do género.
Há informações de que vários dos convidados internacionais e nacionais estarão alojados, provisoriamente, numa unidade hoteleira perto do Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
O cartaz musical integrou formações como os gregos Skumshot, os polacos Mr Obled e o projeto nacional Legião Lusitana, todos alinhados com a ideologia da organização promotora. Destacou-se igualmente a presença do grupo alemão Flak, vinculado ao movimento Hammerskins e encabeçado por Phillip Neumann – conhecido como Phil Von Flak e apontado como uma das referências maiores da cena musical extremista germânica.
O espetáculo acabou por se realizar nas instalações de uma associação cultural situada no coração do centro histórico poveiro, gerando inquietação entre a população local face à dimensão e ao aparato registados.
Os Blood & Honour (Sangue & Honra) são uma rede internacional de extrema-direita neonazi, racista e supremacista branca, criada no Reino Unido em 1987. Não são apenas um grupo musical, utilizam a música, a propaganda e eventos para divulgarem e fortalecerem a ideologia neonazi.
Os Blood & Honour Portugal (B&H Portugal) são uma divisão nacional da rede neonazi internacional Blood & Honour, com raízes na cena skinhead da extrema-direita portuguesa do final de 1980 e início de 1990.