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Sindicato CESP diz que 30% dos trabalhadores da Misericórdia da Póvoa de Varzim está em greve

30 Outubro 2026
Sindicato CESP diz que 30% dos trabalhadores da Misericórdia da Póvoa de Varzim está em greve
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A greve dos trabalhadores da Santa Casa da Póvoa de Varzim para contestar os horários impostos e reivindicar aumentos salariais e o cumprimento do contrato coletivo de trabalho regista uma adesão de cerca de 30%, disse hoje fonte sindical.
Em declarações, Célia Vareiro, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), explicou que a alteração dos turnos, fixada em 26 de outubro, levou a que “alguns trabalhadores passassem a terminar o horário às 00:00”, situação que considera “incompatível com as responsabilidades familiares e as limitações dos transportes públicos”.
“Há trabalhadores a pensar em despedir-se. Alguns residem longe do local de trabalho e não dispõem de transporte próprio para regressar a casa durante a noite”, disse.
A greve decorre durante todo o dia e abrange trabalhadores de várias categorias profissionais da instituição que, segundo Célia Vareiro, conta com “cerca de 250 funcionários” e assegura respostas sociais como lares, unidades de cuidados continuados, apoio domiciliário, centro de dia e serviços de fisioterapia.
No final de uma concentração frente à Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim, realizada cerca das 07:30, o sindicato entregou “declarações individuais dos trabalhadores contestando os horários e manifestando a intenção de continuar a cumprir os horários anteriores, alegando que a vida familiar e pessoal estava organizada em função desses períodos de trabalho”.
Segundo Célia Vareiro, a alteração dos turnos afeta sobretudo os trabalhadores de apoio, serviços gerais e ajudantes de ação direta.
A responsável sindical denunciou ainda “a substituição de trabalhadores em greve, através da realização de turnos de 12 horas por trabalhadores escalados para o turno da tarde e da alteração das folgas de outros funcionários para assegurar os serviços mínimos”.
A dirigente do CESP considerou que a adesão à greve também é condicionada pela “existência de muitos trabalhadores contratados e pelo receio de represálias, nomeadamente entre os que temem não conseguir assegurar a continuidade do vínculo laboral”.
Entre as reivindicações dos trabalhadores estão aumentos salariais significativos, a redução do horário de trabalho para 35 horas semanais, o cumprimento das cláusulas do contrato coletivo, o pagamento dos subsídios de turno, a atualização das categorias profissionais e a progressão nas carreiras.
O sindicato contesta igualmente o tratamento dos intervalos para refeição e a organização dos horários, alegando que não estão a ser respeitadas as disposições previstas no contrato coletivo de trabalho.
De acordo com Célia Vareiro, a administração da instituição comprometeu-se a conceder as duas folgas e a pagar os subsídios de turno a partir de agora, mas não respondeu favoravelmente às restantes reivindicações.
A sindicalista afirmou que os trabalhadores reclamam o pagamento dos subsídios de turno relativos a cerca de 15 anos, período durante o qual, segundo o sindicato, esses valores não foram pagos.
Contactado, o provedor da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim, Virgílio Ferreira, remeteu esclarecimentos sobre este protesto para mais tarde.