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PS do Porto declara “quebra de confiança política” ao presidente da Junta de Freguesia de Vila Conde

9 Maio 2026
PS do Porto declara “quebra de confiança política” ao presidente da Junta de Freguesia de Vila Conde
Política
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A Federação Distrital do Porto do PS declarou esta sexta-feira existir uma “quebra de confiança política” relativamente ao presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, Isaac Braga, na sequência do chumbo do relatório de gestão e contas de 2025 da autarquia.
Em comunicado, a distrital socialista refere ter tomado conhecimento “dos factos relacionados com a votação do Relatório de Gestão e Contas de 2025” da freguesia de Vila do Conde, no distrito do Porto, manifestando “solidariedade política” para com a concelhia local do partido.
“Perante os elementos tornados públicos, entende a Federação que existe, neste momento, uma quebra de confiança política relativamente ao presidente da Junta de Freguesia, Isaac Braga”, refere o documento socialista.
A estrutura distrital acrescenta que a situação deverá ser “devidamente avaliada à luz dos princípios de responsabilidade e transparência que norteiam o Partido Socialista”.
Segundo a distrital do Porto do PS, “a confirmarem-se como verdadeiros os factos em causa, serão mobilizados todos os meios políticos e estatutários adequados” para a tomada de “decisões concretas”, de forma a “salvaguardar a integridade, a credibilidade e a confiança política no Partido Socialista de Vila do Conde”.
A posição surge após o ‘chumbo’, a 30 de abril, na Assembleia de Freguesia de Vila do Conde, do relatório de contas de 2025, da revisão orçamental e do inventário de bens, com votos contra da oposição [coligação PSD/CDS e Chega] e a abstenção da maioria dos eleitos do PS, apesar de três elementos socialistas terem votado a favor.
A oposição justificou o voto com a alegada falta de acesso a documentação essencial, incluindo extratos bancários, e anunciou o envio do processo para o tribunal competente e para a Inspeção-Geral de Finanças.
O caso ganhou dimensão política depois de terem sido divulgadas suspeitas relacionadas com a alegada utilização de verbas da junta de freguesia de Vila do Conde para despesas pessoais do presidente Isaac Braga, segundo uma investigação da RTP.
Segundo essa investigação da RTP, em causa estão gastos em restaurantes, hotéis, perfumarias e outras despesas de índole alegadamente pessoal.
Também esta sexta-feira, a concelhia do PS de Vila do Conde divulgou um comunicado em que considera que a abstenção dos eleitos socialistas na assembleia de freguesia constituiu “um voto responsável e um aviso sério à Junta de Freguesia”.
O secretariado da concelhia reuniu-se com os membros eleitos nas listas do PS para “entender e analisar as razões” que levaram à abstenção, sublinhando que os autarcas “decidiram livre e responsavelmente o seu voto”.
A estrutura local socialista acrescenta que “não pactua, nem aceita comportamentos dúbios ou pouco transparentes, que excecionalmente possam acontecer, por parte de um ou outro dos seus autarcas”.
“O trabalho e a seriedade são bandeiras insubstituíveis”, refere ainda o comunicado do PS de Vila do Conde.
Na mesma nota, o PS de Vila do Conde recorda que a maioria dos eleitos nas listas socialistas no concelho “são politicamente independentes, não sendo militantes do PS”.
Em declarações, o presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, Isaac Braga, disse estar “sereno e de consciência tranquila”.
“Aguardarei pela emissão integral da reportagem da RTP para, juntamente com os serviços da Junta, analisar com rigor e responsabilidade cada um dos pontos abordados e prestar os devidos esclarecimentos”, disse Isaac Braga.
Questionado sobre a posição emitida pela distrital do Porto do PS relativamente à “quebra da confiança política”, Isaac Braga disse ter ficado “surpreendido”.
“Não fui contactado por ninguém da estrutura e acho estranho terem tomado uma posição ainda antes da reportagem [RTP] ter sido emitida na íntegra e de eu poder rebater e prestar todos os esclarecimentos”, completou o autarca, que está no terceiro mandato no cargo.
Já Luísa Maia, presidente da concelhia do PSD de Vila do Conde, e também vereadora do partido no executivo municipal, reagiu aos acontecimentos, considerando que o PS de Vila do Conde “não se pode desresponsabilizar” desta situação.
“Foi Vítor Costa, presidente da Câmara [eleito pelo PS], que escolheu recandidatar Isaac Braga à Junta de Freguesia, certamente em busca de um bom resultado eleitoral ancorado a este candidato. Por isso, o PS de Vila do Conde não pode agora desresponsabilizar politicamente destes acontecimentos”, disse Luísa Maia.
A social-demcorata considerou, no entanto, que “se houver lugar a algum procedimento que se entenda criminal, será, naturalmente, um caminho que a Justiça terá que, averiguar”.