A Câmara Municipal de Vila do Conde assume que não consegue, sem o apoio do Governo de Portugal e a colaboração de “todos”, combater no rio Ave a praga de jacintos-de-água.
O presidente da autarquia, Vítor Costa, em declarações, classificou o problema como “gravíssimo”.
O rio Ave está coberto por um manto verde que põe em causa a sobrevivência de inúmeras espécies e representa uma ameaça para a ponte românica D. Zameiro, em Macieira da Maia, com 800 anos de existência.
O município adianta que já gastou milhares de euros, mas sente-se de pés e mãos atados, uma vez que, estando junto à foz do rio Ave, Vila do Conde é vítima dos jacintos que descem para o mar, arrastados a partir de toda a bacia do Ave.
Para fazer face à proliferação dos jacintos-de-água, a Câmara Municipal de Vila do Conde solicita o apoio e o envolvimento de todos os municípios da bacia do Ave, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e da Administração Central.
O jacinto-de-água, Eichhornia Crassipes, é uma planta aquática flutuante de origem sul-americana. A planta exibe folhas arredondadas sustentadas por pecíolos bulbosos que asseguram a flutuação. Reproduz-se primariamente de forma assexuada, criando estolhos que geram novas unidades, permitindo-lhe duplicar biomassa rapidamente. Forma tapetes densos sobre a água. Esta cobertura bloqueia a penetração da luz solar, impede a fotossíntese e causa a morte da flora subaquática. A decomposição da massa vegetal consome o oxigénio dissolvido na água, provocando anoxia. A presença maciça da planta obstrui o fluxo dos rios, aumenta o risco de inundações e prejudica a biodiversidade nativa. O jacinto-de-água constitui um problema ecológico grave para a natureza.