O presidente da Câmara de São João da Madeira, Jorge Vultos Sequeira, foi eleito líder do Conselho Metropolitano do Porto (CmP), órgão político da Área Metropolitana do Porto (AMP), até ao final do atual mandato.
O autarca socialista foi eleito por unanimidade (14 votos a favor, no total de 14 presentes dos 17 municípios da AMP), e sucederá ao também socialista Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, que já anunciou a saída da autarquia gaiense em junho.
Na sequência da proposta que foi a votação, o presidente da Câmara da Póvoa de Varzim e atual segundo vice-presidente do Conselho Metropolitano do Porto (CmP), Aires Pereira (PSD), subirá a primeiro vice-presidente, sendo o lugar de segundo vice-presidente agora ocupado pelo presidente da Câmara de Santo Tirso, Alberto Costa (PS).
“Eu entendo antecipar a saída da Área Metropolitana àquilo que será a saída da câmara municipal, que ocorrerá quando apresentar as contas consolidadas”, disse Eduardo Vítor Rodrigues durante a reunião.
O autarca de Vila Nova de Gaia vai sair da presidência da Câmara Municipal após ter sido condenado a perda de mandato pelo crime de peculato de uso (uma decisão confirmada pelo Tribunal Constitucional que será ainda alvo de reclamação), tendo anunciado em 15 de maio que irá apresentar a sua renúncia ao cargo em junho.
Aos jornalistas, o presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP) que cessou funções destacou, dos seus mandatos (2017-2025), “a defesa do poder local e dos autarcas, que hoje é tão mal assumida por muitas instâncias, desde o poder central até à própria justiça”.
Questionado sobre projetos levados a cabo durante a sua presidência, destacou a componente dos transportes, com a rede Unir, e a criação da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), bem como os 125 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para as comunidades desfavorecidas.
“É uma espécie de financiamento invisível, porque muita da sua tradução ocorre em contextos de alguma fragilidade e não publicamente evidenciados, não dá para nenhuma obra nem nenhuma coisa visível, mas tem ajudado a mudar a vida de muita gente”, referiu o presidente cessante da Área Metropolitana do Porto (AMP).
Quanto à criação da rede de autocarros Unir, Eduardo Vítor Rodrigues reiterou que “um processo destes, que altera um modelo que tinha sete a oito décadas não pode ter resultados imediatos, de mudanças radicais de qualidade”.
“Acho que é um modelo que faz todo o sentido, é um modelo que tende a continuar, é um modelo que tem de melhorar todos os dias. O que temos hoje é muito melhor do que tínhamos no arranque”, vincou o presidente cessante da Área Metropolitana do Porto (AMP).
Já Jorge Vultos Sequeira, que assume a presidência do Conselho Metropolitano do Porto (CmP) durante mais “duas ou três” reuniões ordinárias até ao final do mandato devido à realização de eleições autárquicas em setembro ou outubro, salientou ainda a concretização do Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART) durante o mandato de Eduardo Vítor Rodrigues.
O PART “remonta a 2019, e no qual Eduardo Vítor Rodrigues teve uma importância decisiva”, assinalou o novo presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP).
O autarca sanjoanense assinalou que a sua tomada de posse “ocorre em circunstâncias excecionais e trata-se de levar o mandato até ao fim em cooperação com todos os presidentes de câmara dos 17 municípios que compõem a Área Metropolitana”.