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Associação Último Recurso admite ação judicial sobre obra em zona protegida na Póvoa de Varzim

10 Abril 2025
Associação Último Recurso admite ação judicial sobre obra em zona protegida na Póvoa de Varzim
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A Associação Último Recurso exigiu hoje esclarecimentos à Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, no distrito do Porto, sobre a construção de “um hotel de luxo em zona protegida da Estela”, admitindo avançar com ação judicial para travar o projeto.
A organização não-governamental, especializada em litigância climática, disse ter feito chegar à autarquia poveira um pedido formal de acesso à informação administrativa, na sequência de denúncias e notícias que apontam para a construção de um hotel no antigo Parque de Campismo do Rio Alto, junto à orla costeira, na freguesia da Estela.
De acordo com a associação, o empreendimento será edificado numa área classificada como Reserva Ecológica Nacional (REN), onde também se aplicam restrições da Reserva Agrícola Nacional (RAN) e normas do Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC).
A Último Recurso aponta que se trata de um território com risco identificado de erosão e galgamento oceânico, cuja projeção de recuo da linha de costa indica um desaparecimento significativo até 2050.
A associação denuncia ainda que a construção decorre sem licenciamento autónomo e refere que “a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já terá sinalizado desconformidades entre a obra executada e os elementos constantes do Pedido de Informação Prévia (PIP)”.
A associação diz que o projeto contempla um hotel de cinco estrelas, com inauguração prevista para maio deste ano, incluindo 80 quartos e suítes, spa, restaurantes, piscinas e um campo de golfe.
“Num contexto de agravamento da erosão costeira, permitir um empreendimento deste tipo numa zona altamente vulnerável é não só um erro urbanístico, mas um atentado à segurança das populações e à integridade ecológica do litoral norte”, afirmou Mariana Gomes, presidente do organismo.
Contactado, o presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim disse que ainda não recebeu qualquer pedido de esclarecimento da parte da associação, mas vincou que o município não licenciou a construção de um hotel.
“O que está a ser feito é a modernização do antigo Parque de Campismo do Rio Alto, adaptando-o para um conceito de ‘glamping’ [forma de acampamento que combina contacto com a natureza com o conforto de alojamentos como bungalows]. Não foi licenciado nenhum hotel”, garantiu Aires Pereira.
O autarca explicou que o promotor do projeto “investiu milhões de euros” para requalificar um espaço que estava “desatualizado e degradado”, recuperando-o “como uma mais-valia de atração turística e económica” para o concelho poveiro.
“Não foi aumentado um metro quadrado de área de construção. Aliás, o espaço está a ser todo renaturalizado, eliminando estruturas de cimento antigas e degradadas. Será uma transformação muito positiva para toda aquela área”, afirmou Aires Pereira.
O autarca disse, ainda, desconhecer que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tenha sinalizado desconformidades e garantiu que a Câmara Municipal está a monitorizar os pressupostos do projeto e a evolução da obra.