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Áurea da Póvoa de Varzim tem 10 meses, está a lutar pela vida e a única salvação é o transplante

26 Setembro 2026
Áurea da Póvoa de Varzim tem 10 meses, está a lutar pela vida e a única salvação é o transplante
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Áurea tem apenas 10 meses, mas já enfrenta uma batalha contra a leucemia, diagnosticada quando tinha apenas três meses. A gravidez decorreu sem complicações, tal como o parto, e, nas primeiras semanas de vida, nada fazia prever a doença que viria a alterar profundamente a vida da bebé e dos pais.
Os primeiros sinais surgiram entre o primeiro e o segundo mês de vida. “Percebemos que algo estava errado quando o corpo dela começou a ter umas manchas negras no corpo cada vez mais frequentes”, conta o pai, Pedro Dominik.
Perante as alterações, a família levou a bebé ao hospital. As análises ao sangue confirmaram as suspeitas e Áurea foi inicialmente encaminhada para o Hospital de São João, no Porto, e, posteriormente, para o Instituto Português de Oncologia (IPO). Aos três meses, recebeu o diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda de células B.
O diagnóstico trouxe aos pais uma mistura de emoções difíceis de gerir. “Senti muita tristeza, impotência e desilusão, porque não sei de onde isto veio. Mas o maior sentimento era sempre esperança”, admite Pedro Dominik.
A leucemia linfoblástica aguda é um tipo de cancro do sangue e da medula óssea que afeta os linfoblastos, células que dão origem a um tipo de glóbulo branco. Desde fevereiro, uma parte significativa da vida de Áurea tem sido passada dentro de um quarto de hospital. “Mesmo assim, ela brinca, dorme, come e gosta de ver televisão. Mas nós não conseguimos ter uma vida normal”, acrescenta o pai.
Pedro Dominik, de 26 anos, vive em Vila do Conde e trabalha na área dos semicondutores. Patrícia Bastos, mãe de Áurea, também tem 26 anos e encontra-se desempregada. A bebé tem ainda duas irmãs por parte da mãe.
Neste momento, a prioridade é conseguir reduzir a presença da doença para níveis que permitam avançar para um transplante de medula óssea. “São valores extremamente apertados de 0,01. Ela está com níveis de leucemia de 0,028.”
Desde fevereiro, Áurea está a realizar um tratamento desenvolvido a partir das suas próprias células, combinado com um medicamento posteriormente introduzido no organismo. A bebé já passou por todas as restantes opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da doença.
“Espera-se que isto resulte porque se os níveis não baixarem, então já se fez tudo por ela e não há nada mais que consigamos fazer”, lamenta Pedro Dominik.
Os médicos aguardam agora uma resposta positiva ao tratamento, embora ainda não seja possível saber qual será o resultado. “É uma doença imprevisível e não conseguem dar esperança a ninguém. Esperam só que resulte.”
Apesar da incerteza, o pai mantém a confiança na capacidade de resistência da filha. “Ela é muito forte. Acredito desde o início que ela vai superar seja o que for.”
Áurea tem também revelado capacidade para suportar os efeitos secundários do tratamento. Chegou a ter episódios de febre, mas não desenvolveu as complicações hepáticas que poderiam surgir. “Ela aguenta muito bem o fármaco. É muito rija.”
O próximo passo será um transplante de medula óssea num hospital de Barcelona. A família terá de viajar para Espanha, uma vez que nenhum dos centros contactados em Portugal aceitou realizar o procedimento devido à idade da bebé.
Ainda não há, contudo, uma data definida para o transplante. Antes disso, Áurea terá de atingir os critérios clínicos necessários e os pais continuam também sem saber se existe um dador compatível.
O transplante é considerado fundamental para reduzir o risco de recaída. Mesmo que os níveis de leucemia cheguem a zero, permanece a possibilidade de a doença regressar. “A única salvação é mesmo com o transplante.”
Perante este cenário, os pais decidiram transformar a história da filha num apelo à solidariedade. Pedro Dominik pede que mais pessoas se inscrevam como dadoras de medula óssea e que contribuam também através da dádiva de sangue.
“É um pequeno superpoder que toda a gente consegue ter e que pode ajudar muitas pessoas.”
Enquanto aguardam pelos próximos passos, a família procura apoio e esperança para continuar a enfrentar a doença. Para ajudar Áurea, Pedro Dominik deixa ainda um último pedido: “só podemos rezar por ela. Um ato de fé consegue chegar a todo o lado.”