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Festival de teatro É-Aqui-in-Ócio na Póvoa de Varzim reforça inclusão e descentralização

9 Agosto 2026
Festival de teatro É-Aqui-in-Ócio na Póvoa de Varzim reforça inclusão e descentralização
Cultura
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O festival de Teatro É-Aqui-in-Ócio, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, vai reforçar a programação acessível, na sua 17.ª edição, levar mais espetáculos às freguesias e recuperar uma presença significativa em espaços ao ar livre.
Organizado pela estrutura Varazim Teatro, o certame arranca em 23 de setembro e terá como tema o medo, abordado também através do humor, numa programação que inclui espetáculos em sala e na rua, propostas internacionais, atividades paralelas e uma nova secção destinada a jovens artistas e estruturas emergentes.
O diretor artístico, Eduardo Faria, explicou que a descentralização procura aproximar a cultura das populações que enfrentam maiores dificuldades de deslocação “É possível fazer com qualidade a descentralização cultural no país. Por exemplo, as pessoas de maior idade nas freguesias da Póvoa de Varzim não têm tanta facilidade de se deslocarem à cidade. Por isso, vamos nós levar até elas o evento, de maneira a podermos chegar a mais público”, afirmou.
A edição deste ano recupera igualmente uma característica presente desde o início do festival, com mais apresentações ao ar livre, e estreia uma programação ‘off’, pensada para dar visibilidade a criadores em início de carreira.
A acessibilidade continuará a ser um dos eixos do festival. Todos os espetáculos com texto terão tradução para Língua Gestual Portuguesa, enquanto uma parte significativa das apresentações no Cine-Teatro Garrett, espaço âncora do evento, contará com audiodescrição.
A organização mantém ainda uma política de preços reduzidos, entendendo que a inclusão não se limita às pessoas com deficiência ou necessidades específicas, mas abrange também a capacidade económica do público.
“Não há outro caminho para a democratização da cultura que não seja tornarmos possível que todas as pessoas que tenham vontade possam entrar numa sala de espetáculos, para que a arte seja realmente democrática”, sustentou o diretor artístico.
A abertura de festival será feita com a estreia de “A Instalação do Medo”, uma criação da Varazim Teatro baseada na obra de Rui Zink, com sessões em 23 e 24 de setembro, centrada no medo enquanto instrumento de controlo e condicionamento social.
A companhia galega Ártica apresenta, no dia 25, “Non Passarán”, lema histórico da resistência espanhola ao fascismo que intitula uma comédia negra também relacionada com o tema central, enquanto o dia seguinte assinalará o 29.º aniversário da Varazim Teatro.
A restante programação reúne companhias e artistas nacionais e internacionais, em diferentes espaços da cidade e do concelho, com destaque para a peça “Odisseia”, inspirada na obra de Homero, da Companhia do Chapitô, a 29 de setembro, e “La fortuna de estos tiempos”, da Compagnie Filaromus, a 02 de outubro.
Sobre a escolha temática, Eduardo Faria considerou que o teatro e o humor podem funcionar como instrumentos de reação ao medo e à opressão.
“O medo é um monstro que muitas vezes nos paralisa, mas o teatro, a arte e a cultura fazem-nos movimentar e sair desse estado. O riso e o humor sempre foram uma grande arma para lutar contra o medo e contra a opressão”, afirmou.
A presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, Andrea Silva, destacou o papel do festival na afirmação cultural do concelho e o trabalho desenvolvido pela estrutura ao longo de quase três décadas.
“A Câmara Municipal apoia este festival porque acredita que a cultura não é acessória. É parte essencial do que torna uma cidade habitável. Um festival de teatro que obriga o público a pensar, a desconfortar-se e a sair diferente do que entrou é um serviço público”, declarou.
Criado em 2007 com uma denominada “edição zero” e inicialmente sem apoio público, o É-Aqui-in-Ócio apresentou, ao longo da sua existência, mais de 200 espetáculos, envolvendo mais de mil profissionais e alcançando dezenas de milhares de espetadores.
A Varazim Teatro vai ainda candidatar-se a um apoio sustentado quadrienal da Direção-Geral das Artes, em substituição do atual ciclo bienal.
A estrutura considera que o financiamento por quatro anos permitirá programar a médio prazo com maior estabilidade, reforçar a equipa permanente e reduzir a sucessão contínua de candidaturas, execução e prestação de contas.