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Curiosos percorreram centenas de quilómetros para ver eclipse total do Sol em Rio de Onor

12 Agosto 2026
Curiosos percorreram centenas de quilómetros para ver eclipse total do Sol em Rio de Onor
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Muitos curiosos percorreram centenas de quilómetros para poderem ver o eclipse total do Sol em Rio de Onor, no concelho de Bragança, um fenómeno raro que não acontecia há mais de 100 anos em Portugal.
Elvira Pereira percorreu mais de 500 quilómetros até Rio de Onor. Veio de Santarém com uma expectativa “altíssima” para assistir “a uma coisa tão especial e única”.
Conseguiu reservar estadia no parque de campismo da aldeia, mas estava disposta a dormir no carro, se não houvesse vaga, só para poder assistir ao fenómeno raro.
“Estava capaz disso e muito mais (…) É quase uma coisa que remete ao nosso imaginário de criança e que imagina os astros a passar uns à frente dos outros, mas será que é possível? Só o facto de imaginar já era assustador e então havia essa dicotomia, a atração pelo mistério e o que ele nos provocava”, contou Elvira Pereira.
Também Andreia Lopes percorreu centenas de quilómetros até Rio de Onor para poder ver a ocultação total do Sol pela Lua e vai percorrer outros tantos, no mesmo dia, para regressar a casa, em Sintra, no distrito de Lisboa.
“Essa margem de algo que acontecia de século e meio em século e meio acontecer na minha experiência de vida, estar só a 500 quilómetros e não vir?”, questionou retoricamente.
Não queria criar expectativas, mas sabia que seria um momento único e inesquecível.
“Nunca, em nenhum momento da vida, mesmo que eu viva bastantes anos, nunca me irei esquecer da imagem visual, e vou tentar integrar ao longo desses tais anos que me restem o acontecimento desta natureza, porque há uma parte física (…) mas há algo muito superior àquilo que nos é ensinado na escola”, sublinhou Andreia Lopes.
Houve quem tivesse escolhido o dia do eclipse para comemorar uma data especial – os 42 anos de casamento. Laura e Vítor partiram de Vila Nova de Famalicão, no distrito de Braga, para assinalar o aniversário e até prometeram dar um “beijinho” no momento mais aguardado, que aconteceria às 19:30, quando a Lua cobriria totalmente o Sol.
Com a aproximação do momento, pelas 17:00, Laura admitiu estar a ficar ansiosa.
“É um fenómeno que acontece só de 100 em 100 anos, mais ou menos, estávamos de férias, decidimos vir dar uma volta, viemos ver, juntámos as duas coisas e comemoramos o dia”, contou Laura Silva.
O eclipse total do Sol só podia ser visualizado nas aldeias de Rio de Onor e Guadramil, no concelho de Bragança.
Devido ao risco máximo de incêndio, a estrada que ligava Bragança a estas aldeias estava encerrada ao trânsito desde as 15:00 e, por isso, o fenómeno só podia ser visto a 100% pelos moradores e turistas alojados nestas localidades.
O parque de campismo estava completamente esgotado e as casas de alojamento local estavam também lotadas desde o início do ano.
No restante território nacional, o eclipse era parcial, variando a percentagem de ocultação do Sol entre 92% e 99% no continente e entre 74% e 77% nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira.
Além de Portugal, onde estavam previstas sessões de observação um pouco por todo o país, este eclipse seria visível, se as condições de observação do céu o permitissem, numa faixa que atravessava o Ártico, a Gronelândia, a Islândia e Espanha.
O próximo eclipse total do Sol em Portugal será apenas em 2144.