A Autoridade da Concorrência (AdC) foi notificada, no passado dia 30 de junho, da compra da Ambar, sediada em Barcelos, pela empresa de Vila do Conde Ancor.
A operação de concentração, que consiste na aquisição da totalidade do capital social por parte da empresa produtora de Vila do Conde, liderada por Francisco Correia, foi divulgada esta segunda-feira num aviso publicado nos jornais pela Autoridade da Concorrência (AdC).
“A operação de concentração consiste na aquisição pela António Augusto Correia, Lda. (‘Ancor’) do controlo exclusivo sobre a totalidade do capital social da Ambar – Passion, S.A. (‘Ambar’)”, lê-se na informação divulgada.
Com mais de meio século de história, a Ancor nasceu há 54 anos nas traseiras de um edifício em Cedofeita, no Porto. Embora ainda mantenha a sua atividade original ligada aos produtos de arquivo, o seu principal motor de negócio é hoje o segmento escolar.
A empresa opera a partir da sua fábrica em Guilhabreu, Vila do Conde, onde produz cerca de 30 milhões de unidades anualmente. O seu portefólio inclui marcas próprias conceituadas – como a Ancor, B’log e Smooth -, além de produzir para grandes insígnias da distribuição, como o Continente. A sua vasta produção destina-se a grossistas, retalhistas de papelaria e grandes superfícies comerciais.
Apesar da sua dimensão, a Ancor continua a ser uma empresa 100% familiar, empregando perto de 150 colaboradores.
No final de 2018, o grupo diversificou o seu negócio ao inaugurar uma nova área de packaging, com uma infraestrutura de uma nave industrial dedicada de 2.000 metros quadrados e foco na produção de embalagens premium para produtos de valor acrescentado, tais como calçado, telemóveis, jogos e vinho do Porto.
Atualmente, o grupo nortenho posiciona-se como um dos maiores fabricantes ibéricos de papelaria e embalagem, integrando também uma empresa gráfica e uma unidade focada no desenvolvimento de coleções.
O grupo reforça agora o seu portefólio com a integração da Ambar, marca fundada em 1939 por Américo Barbosa.
A Ambar, que no seu período de maior fulgor chegou a faturar mais de 30 milhões de euros, passou por momentos difíceis em 2013, quando os trabalhadores solicitaram a insolvência da empresa. No ano seguinte, a marca foi salva pelos empresários minhotos José Costa (Coscelos) e José Manuel Ferreira (Valérius, também conhecido por resgatar a Dielmar), que dividiram o capital social em partes iguais (50% cada).
Atualmente, de acordo com dados da Autoridade da Concorrência (AdC), a Ambar dedica-se ao fabrico e venda de material escolar, de escritório, papelaria e marroquinaria, mantendo apenas uma presença residual no comércio eletrónico e no retalho físico (com loja em Barcelos).
Adicionalmente, a marca desenvolve o projeto Ambar Science – criado sob a gestão dos novos acionistas -, focado na criação de brinquedos científicos e pedagógicos em parceria com a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.