Pelo terceiro ano consecutivo, a iniciativa solidária “Renascer à Vida” voltou a mobilizar ciclistas por uma causa nobre. Um grupo de 14 ciclistas – que inclui cinco pessoas submetidas a transplantes pulmonares – partiu de Vila do Conde rumo a Lisboa. O grande propósito desta viagem é sensibilizar a população para a importância da doação de órgãos e evidenciar como este ato transforma radicalmente e para melhor o dia a dia dos pacientes.
“Depois do transplante, renasci e é isso que quero mostrar”, afirma, orgulhoso, Augusto Ferreira.
A meta desta aventura sobre duas rodas é inequívoca: comprovar que há vida – “e com qualidade” – após uma intervenção cirúrgica desta dimensão. Augusto Ferreira, que desempenha funções como porteiro na Câmara Municipal de Vila do Conde há mais de vinte anos, recorda o período em que a sua saúde lhe impunha severas restrições.
“Nasci com uma doença nos pulmões. Em pequeno, andava sempre a antibiótico e a minha vida foi sempre limitada: não podia correr, jogar futebol, andar de bicicleta”, conta Augusto Ferreira.
O cenário agravou-se severamente em 2019, quando a falência dos seus pulmões o obrigou a estar ligado a um ventilador ao longo de nove meses. A reviravolta aconteceu após o transplante realizado no Hospital de Santa Marta, em Lisboa.
“Comecei a caminhar e depois veio o bichinho da bicicleta”, explica Augusto Ferreira.
Foi durante o período de internamento naquela unidade hospitalar que Augusto conheceu Carlos Plácido. Este último, após um diagnóstico de esclerose sistémica, acabou por desenvolver uma fibrose pulmonar. Tal como o seu colega de percurso, Carlos foi transplantado em 2019 e viu a sua vida mudar por completo.
A viagem até à capital começou com um sonho de Carlos Plácido na noite anterior a uma das suas consultas de rotina trimestrais: ele sonhou que se deslocava até ao hospital de bicicleta. Motivado a transformar o sonho em realidade, estruturou o projeto e desafiou Augusto Ferreira a acompanhá-lo. Na primeira edição, realizada em 2024, o trajeto ligou Santa Marta de Portuzelo (a terra natal de Carlos, em Viana do Castelo) ao Hospital de Santa Marta, em Lisboa. O sucesso foi tal que o evento passou a ser anual.
“É um exemplo de vida que damos aos outros”, frisa Carlos Plácido, lembrando o lema da viagem: “duas rodas, dois pulmões e uma nova história”.