O PS de Vila do Conde considerou que a renúncia de Isaac Braga à presidência da Junta de Freguesia de Vila do Conde “era a única decisão politicamente aceitável”, defendendo que a saída do autarca socialista “peca por tardia”.
Em comunicado, a Comissão Política Concelhia socialista sustenta que a decisão formalizada por Isaac Braga surge na sequência da “inequívoca retirada de confiança política assumida pelas estruturas do Partido Socialista”.
“Trata-se de uma decisão que, sendo correta, peca por tardia”, refere o PS local, acrescentando que, “num contexto de profunda erosão da credibilidade institucional da Junta de Freguesia, o dever de responsabilidade política deveria ter prevalecido de forma imediata”.
Os socialistas consideram que os “interesses da instituição, da freguesia e dos vila-condenses” deveriam ter sido colocados “acima de qualquer circunstância pessoal ou estratégia de resistência política”.
Isaac Braga formalizou a renúncia ao cargo de presidente da Junta de Freguesia de Vila do Conde, funções que desempenhava desde 2017, afirmando que tomou essa decisão para proteger a família da atenção social e mediática a que estava sujeita.
A renúncia surge após a divulgação de uma investigação televisiva da RTP sobre alegados gastos indevidos de dinheiro da Junta em restaurantes, hotéis, perfumarias e compras de tabaco.
O agora ex-autarca reiterou que a renúncia “não significa assunção de culpa”, garantindo sair do cargo “de consciência tranquila” e disponível para prestar esclarecimentos “nas instituições próprias”.
No comunicado divulgado, o PS de Vila do Conde rejeita “a tentativa de transformar este processo numa narrativa de vitimização pessoal ou perseguição política”.
“O que está em causa não são divergências partidárias nem disputas de poder, mas sim factos graves tornados públicos, amplamente conhecidos da população e suficientemente sérios para comprometerem a confiança política indispensável ao exercício de funções públicas”, refere a estrutura concelhia do PS de Vila do Conde.
Ainda assim, os socialistas reconhecem que o caso “tem inevitavelmente impacto pessoal e humano” para familiares e pessoas próximas do ex-presidente da junta, repudiando “manifestações de hostilidade ou aproveitamento excessivo do caso”.
O PS vila-condense sublinha também que “a responsabilidade política é autónoma da responsabilidade judicial” e que quem exerce cargos públicos deve ter “capacidade de assumir consequências políticas quando a dignidade, a credibilidade e o regular funcionamento das instituições ficam em causa”.
A estrutura socialista reafirma ainda que “a defesa do bom nome das instituições democráticas, da ética no exercício de funções públicas e da confiança dos cidadãos deve prevalecer sempre sobre qualquer interesse individual”.
“A prioridade deve agora ser devolver estabilidade, serenidade e credibilidade à Junta de Freguesia de Vila do Conde”, conclui o comunicado.
Na semana passada, a Federação Distrital do Porto do PS já tinha anunciado a retirada de confiança política a Isaac Braga e o início de um processo de expulsão do militante socialista.