A costa Norte de Portugal voltou a ganhar vida esta segunda-feira com o retomar da faina da sardinha, assinalando o fim de um interregno de quase cinco meses.
Para as comunidades piscatórias de Vila do Conde e da Póvoa de Varzim, o regresso ao mar não é apenas uma rotina recuperada, mas um momento de profunda renovação e esperança económica, após um período de paragem que vigorava desde o início de dezembro passado.
Esta reabertura, devidamente formalizada em Diário da República, surge ancorada num plano de sustentabilidade rigoroso. Para o ano de 2026, foi estabelecida uma quota ibérica de 33.446 toneladas, um valor que resulta de uma gestão partilhada entre Portugal e Espanha para garantir que a espécie continue a prosperar nos nossos mares.
O regresso à atividade faz-se acompanhar de regras estritas de captura, desenhadas para equilibrar a viabilidade do setor com a proteção dos recursos. Atualmente, os limites diários estão segmentados pelo porte das embarcações: as mais pequenas, até 9 metros, podem descarregar 2.250 kg; as de médio porte, entre 9 e 16 metros, têm um teto de 3.938 kg; e as unidades maiores podem capturar até 6.750 kg. Prevê-se ainda um alívio nestas restrições para a frota artesanal a partir de junho, enquanto as restantes categorias aguardam possíveis ajustes consoante a evolução dos stocks.
Para além dos números e das toneladas, mantêm-se em vigor as normas logísticas habituais, como a proibição de múltiplas descargas diárias em portos distintos, reforçando o controlo e a transparência da lota. Com o início desta nova campanha, o sentimento dominante entre os pescadores locais é de otimismo, encarando esta temporada como o relançar fundamental de um setor que é a alma identitária e financeira da região.