Um antigo juiz acusado de corrupção e de angariar mulheres para um bar de alterne, no Porto, garantiu não ter cometido nenhum crime.
“Não vou assumir nenhum crime, porque não cometi crime nenhum”, disse o antigo magistrado à chegada ao Tribunal São João Novo, no Porto, onde começou a ser julgado.
Já em audiência de julgamento, Hélder Claro, expulso da profissão em 2024, disse que queria prestar declarações, mas apenas após os testemunhos dos inspetores da Polícia Judiciária (PJ).
O ex-juiz está acusado de 19 crimes, nomeadamente corrupção ativa no setor privado, auxílio à imigração ilegal, angariação de mão-de-obra ilegal, aquisição de cartões obtidos mediante crime informático e associação criminosa.
O arguido era ainda suspeito de branqueamento de capitais, mas esse crime não consta da acusação por falta de provas.
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), Hélder Claro angariou sete mulheres do Brasil para trabalhar num bar de alterne do Porto, onde seria cliente, esquema onde contaria com a ajuda de uma amiga que receberia 6.000 euros em comissões.
A acusação referiu ainda que o antigo magistrado é suspeito de estar envolvido num esquema de cartões bancários furtados e terá usado a sua influência para lucrar cerca de um milhão de euros em negócios imobiliários irregulares relacionados com a expansão de uma cadeia de supermercados em Valongo e Matosinhos, no distrito do Porto.
Além do ex-juiz, o processo tem mais nove arguidos, dos quais duas empresas.
Os dados do Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH) mostram que o lenocínio, muitas vezes associado ao tráfico de pessoas, constitui uma parte relevante da criminalidade sexual organizada. Entre 2008 e 2022, o número de processos de lenocínio e tráfico de menores em fase de julgamento (sentenças/acórdãos) tem apresentado variações, com maior concentração de casos de lenocínio simples.
A criminalidade geral em Portugal registou um aumento de 3,1% em 2025, de acordo com relatórios preliminares.