O tradicional encontro de motards que, durante décadas, deu vida às manhãs de domingo junto ao Forte de São João, em Vila do Conde, atravessa agora um período de incerteza e polémica. O cenário de centenas de motos alinhadas junto à marginal mudou drasticamente após a autarquia do distrito do Porto ter implementado novas medidas de restrição, proibindo o estacionamento nos locais onde os entusiastas habitualmente conviviam.
Esta intervenção municipal, iniciada no começo do mês, surge como uma resposta direta às preocupações manifestadas por moradores e utilizadores daquela zona de lazer, em “relação a ruído, circulação e estacionamento”.
Em comunicado, a Câmara Municipal de Vila do Conde justificou a decisão com a necessidade de garantir a segurança e o conforto da população, apontando problemas relacionados com o ruído excessivo, a circulação dificultada e o estacionamento desordenado.
Para assegurar o cumprimento das novas regras, a autarquia estabeleceu uma parceria com a PSP, que mantém agora uma presença reforçada e uma fiscalização contínua durante as manhãs de domingo.
“Para garantir segurança e conforto, em parceria com a PSP, há presença reforçada e fiscalização contínua durante as concentrações de motards aos domingos de manhã. O objetivo é simples: conviver com respeito, proteger o bem-estar de todos e organizar melhor o espaço”, lê-se num comunicado da Câmara de Vila do Conde.
A chegada do bom tempo, que habitualmente marca o pico de afluência a estes encontros, trouxe consigo uma onda de indignação que invadiu as redes sociais. Muitos motards confessam ter sido apanhados de surpresa pelas proibições e não escondem o descontentamento. Entre as críticas, há quem sugira que, perante a impossibilidade de estacionar nos passeios ou à entrada do Forte de São João de Vila do Conde, a solução passará por ocupar a totalidade dos lugares de estacionamento automóvel regulamentares, como forma de protesto e afirmação do seu direito ao espaço público.
Para além da questão da liberdade de convívio, os frequentadores sublinham o impacto cultural e económico desta tradição. Muitos defendem que as motas são o principal motivo de atração turística da zona aos domingos e que, sem este movimento, a área do Forte de São João de Vila do Conde ficaria deserta. Este receio parece já estar a confirmar-se no setor comercial, uma vez que a colocação de barreiras físicas e o aumento da pressão policial levaram muitos motociclistas a escolher outros destinos, resultando numa quebra visível de clientela nos estabelecimentos de restauração e cafés da marginal vila-condense.