A venda da Indaqua está a ganhar um novo protagonismo e promete ser o “negócio do ano” em Portugal. Na próxima semana, cinco candidatos – entre fundos de investimento e gigantes do setor da água e saneamento – deverão apresentar as suas propostas não vinculativas para adquirir o maior operador privado de concessões de água de Portugal.
A lista de interessados inclui os fundos KKR (EUA) e Brookfield (Canadá), além da italiana Acea SpA e da espanhola Aqualia, que já opera em território nacional. Há ainda um quinto candidato cujo nome permanece sob sigilo, para manter o interesse e a competitividade neste tipo de leilões.
No passado, nomes como a Agbar, a Veolia, a Acciona ou a Taqa foram apontados como potenciais interessados em ativos deste género, mas não há confirmação oficial de que algum deles seja o “misterioso” quinto candidato.
Em 2023, o fundo britânico Equitix esteve em negociações exclusivas para comprar a Indaqua por 800 milhões de euros, mas a operação não se concretizou devido a dificuldades na angariação de capital por parte do comprador.
Fontes ligadas ao processo indicam que a empresa, liderada por Pedro Perdigão, está avaliada em cerca de mil milhões de euros (Enterprise Value). Se este valor se confirmar, a transação poderá superar a recente venda de quase metade da TAP, consolidando-se como uma das maiores operações de fusões e aquisições (M&A) em Portugal.
A atual proprietária, a francesa Antin Infrastructure Partners, colocou o ativo no mercado no início de 2026, contando com o apoio financeiro do Société Générale e do Citi.
A Indaqua chega a este momento de venda com um perfil reforçado por investimentos recentes e expansão internacional. Em 2025, o grupo adquiriu a Hidrogestión, consolidando a sua presença no mercado vizinho, implementando-se em Espanha. Em setembro do ano passado, a empresa assegurou um financiamento de 358 milhões de euros junto da Schroders Capital e do Santander. Já em janeiro de 2026, a Indaqua assinou contratos para gerir os sistemas de água nas províncias do Namibe e da Lunda Norte, em Angola, num projeto financiado pelo Banco Europeu de Investimento, que servirá mais de 1,5 milhões de pessoas.
A Antin Infrastructure Partners detém a Indaqua desde 2020, tendo-a adquirido à Bridgepoint, que anteriormente a tinha comprado aos israelitas da Miya/Arison Group, em 2019, por 60 milhões de euros. A empresa gestora de abastecimento de água para consumo humano e de saneamento de águas residuais já pertenceu à Mota-Engil, à Soares da Costa e à Talanx.
Agora, o fundo francês Antin Infrastructure Partners procura finalmente concretizar a saída deste investimento estratégico e, para isso, contratou a Société Générale e o Citi como assessores financeiros e mediadores daquele que pode ser o negócio do ano em Portugal.