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Concelhia de Vila do Conde do PCP reclama atraso na abertura da Unidade de Saúde de Caxinas

24 Março 2026
Concelhia de Vila do Conde do PCP reclama atraso na abertura da Unidade de Saúde de Caxinas
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A concelhia de Vila do Conde do PCP denunciou hoje que a nova Unidade de Saúde das Caxinas, no distrito do Porto, continua encerrada, apesar de ter sido inaugurada há quatro semanas, classificando a cerimónia como “manobra de propaganda”.
Em comunicado, os comunistas vila-condenses criticam o facto de a unidade, inaugurada em 28 de fevereiro, ainda não ter entrado em funcionamento, considerando a situação “inaceitável e incompreensível”.
“A nova Unidade de Saúde das Caxinas continua encerrada e sem data prevista para o início do seu funcionamento, apesar da sua inauguração com pompa e circunstância […] numa manobra de propaganda ao nível do atual executivo”, refere o PCP.
Segundo a estrutura local do partido, o equipamento, que integra a Unidade de Saúde Familiar (USF) dos Navegantes e serviços partilhados de cuidados de saúde primários, não resolve os problemas estruturais do setor no concelho.
“O PCP considera que a nova Unidade de Saúde das Caxinas […] não elimina os problemas de fundo do SNS [Serviço Nacional de Saúde] no concelho, nem substitui a necessidade de garantir cobertura efetiva de médicos de família, equipas completas e respostas de urgência acessíveis à escala municipal”, lê-se no documento.
O partido sublinha que o não funcionamento da unidade “favorece o crescimento do setor privado à custa do enfraquecimento do SNS”.
“É incompreensível e inaceitável que esta unidade continue encerrada. A situação vivenciada com a nova Unidade de Saúde espelha as consequências de uma política de desinvestimento e uma estratégia para justificar opções que favorecem o crescimento do setor privado à custa do enfraquecimento do SNS”, defendem.
A Comissão Concelhia de Vila do Conde do PCP exige, por isso, que o Governo e a autarquia tomem medidas para colocar a unidade em funcionamento e repudia “uma política feita de anúncios e inaugurações enganosas”.
A Câmara de Vila do Conde, num esclarecimento, garantiu que o edifício está concluído e pronto a funcionar, faltando apenas um procedimento técnico da responsabilidade do Ministério da Saúde.
“Está tudo pronto para entrar em funcionamento, só falta uma responsabilidade dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, que é a transferência dos sistemas de comunicação do antigo edifício para as novas instalações, para que os médicos, enfermeiros e pessoal administrativo lá possam lá trabalhar”, informou a autarquia vila-condense.
A Câmara de Vila do Conde garantiu que “o processo já foi solicitado pela Unidade Local de Saúde (ULS), responsável pelo equipamento”, e que a resolução está agora “do lado do Ministério, que é quem pode resolver”.
Adiantou ainda que já foram feitas várias diligências junto da tutela, mas que o processo continua em curso, apontando que a demora “tem causado desconforto no município”.
“O presidente da Câmara [Vítor Costa] está estupefacto com a demora e inércia no processo. Houve um grande esforço para que o novo edifício estivesse pronto para servir a comunidade, mas, neste momento, uma questão burocrática continua a atrasar a abertura”, vincou o esclarecimento.
A nova Unidade de Saúde de Caxinas representou um investimento de cerca de três milhões de euros, cofinanciados com verbas europeias do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e vai servir cerca de 15 mil utentes, no âmbito da Unidade de Saúde Familiar (USF) dos Navegantes, bem como uma Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados (URAP).
A construção desta nova unidade, no seio de uma das maiores comunidades piscatórias do País, durou menos de dois anos.
Na inauguração, o presidente da Câmara de Vila do Conde, Vítor Costa, lamentou a ausência de representantes do Ministério da Saúde.
“É com alguma tristeza que notei a ausência de membros do Ministério da Saúde. Apesar da honra da presença da vogal da Direção Executiva do SNS [Serviço Nacional de Saúde], seria o mínimo exigível ao Ministério que se tivesse feito representar, ora pela sua Ministra, ora por um dos seus Secretários de Estado”, disse então o presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, Vítor Costa.