A Câmara de Vila Nova de Famalicão rejeitou hoje “liminarmente” a acusação de que o renovado boletim municipal possa estar na base da recente decisão do grupo Editave de suspender o jornal Opinião Pública.
Em comunicado, a Câmara de Famalicão reitera que o novo boletim, denominado “efe”, “não é, nem pretende ser, um produto concorrencial da imprensa local e regional, por quem a autarquia tem um enorme respeito e com quem continuará a manter uma profícua colaboração institucional”.
Acrescenta estranhar a “indignação” com os novos conteúdos plasmados no renovado boletim, sublinhando tratar-se de “uma prática comunicativa que a Câmara Municipal tem vindo a seguir há já vários anos para valorização da atividade autárquica, mas também do território e dos seus protagonistas”.
A Câmara estranha também “que seja colocada em causa a legitimidade de uma instituição decidir onde, quando e como anuncia aquilo que diz respeito à sua atividade”.
O jornal Opinião Pública, de Vila Nova de Famalicão, anunciou hoje a suspensão da publicação em papel por tempo indeterminado, por considerar que o novo formato do boletim municipal é “uma concorrência impossível de bater”.
O administrador do grupo Editave Multimedia, que detém aquele jornal, disse que se trata de um boletim municipal “travestido de jornal” e de “uma cópia perfeita de um jornal a sério”.
“E isso é perigoso, porque confunde quem lê e asfixia os jornais como o nosso, que apenas vive à custa dos seus anunciantes”, sublinhou Arcindo Guimarães.
A Câmara diz lamentar a decisão de suspensão da edição impressa do Opinião Pública, considerando tratar-se de um “título incontornável da imprensa local famalicense, com o qual a autarquia manteve, até à edição de hoje, uma relação institucional sempre pautada pelo maior respeito e profissionalismo, tanto para com as diferentes administrações que passaram pelo jornal, como pelos seus profissionais”.
Sublinha que o boletim municipal de Famalicão é uma publicação institucional editada pela autarquia desde a década de 80 e “está longe de ser um caso único no País, dada a existência de inúmeros boletins municipais que comungam da mesma filosofia do boletim famalicense”.
“Nestas mais de quatro décadas, o boletim municipal já conheceu vários formatos, coexistiu sempre no espaço público com os órgãos de comunicação social locais e nunca se posicionou como um produto concorrencial”, diz ainda.
Em causa está o lançamento, este mês, pela Câmara de Vila Nova de Famalicão, do “efe”, que resulta da reformulação do boletim municipal.
“Para além das alterações ao nível da designação, do design e do formato, o renovado boletim municipal de Famalicão apresenta também mudanças ao nível do conteúdo: deixa de ser uma publicação centrada na atividade autárquica, para ser também um instrumento de valorização do território e dos seus protagonistas”, refere o município famalicense.
A Associação Portuguesa dos Media Digitais Online (APMEDIO) já enviou uma comunicação à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), considerando que o lançamento do “efe” se assume como “um agravamento de práticas de comunicação institucional por parte de autarquias locais que poderão estar a ultrapassar o enquadramento legal aplicável e a afetar o funcionamento da imprensa regional independente”.
Para a Associação Portuguesa dos Media Digitais Online (APMEDIO), a publicação de Famalicão exibe “uma linha gráfica, editorial e informativa típica de um jornal generalista, ultrapassando o âmbito da informação administrativa e institucional que deve enquadrar a comunicação das autarquias”.
A associação sublinha que estes projetos representam uma “ocupação indevida do espaço mediático local”, uma vez que são financiados com recursos públicos, mas escapam às obrigações legais, económicas e deontológicas impostas aos verdadeiros órgãos de comunicação social.
A publicação é também criticada por praticamente toda a oposição.