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Câmara de Famalicão rejeita que boletim seja causa da suspensão do jornal Opinião Pública

25 Fevereiro 2026
Câmara de Famalicão rejeita que boletim seja causa da suspensão do jornal Opinião Pública
Cultura
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A Câmara de Vila Nova de Famalicão rejeitou hoje “liminarmente” a acusação de que o renovado boletim municipal possa estar na base da recente decisão do grupo Editave de suspender o jornal Opinião Pública.
Em comunicado, a Câmara de Famalicão reitera que o novo boletim, denominado “efe”, “não é, nem pretende ser, um produto concorrencial da imprensa local e regional, por quem a autarquia tem um enorme respeito e com quem continuará a manter uma profícua colaboração institucional”.
Acrescenta estranhar a “indignação” com os novos conteúdos plasmados no renovado boletim, sublinhando tratar-se de “uma prática comunicativa que a Câmara Municipal tem vindo a seguir há já vários anos para valorização da atividade autárquica, mas também do território e dos seus protagonistas”.
A Câmara estranha também “que seja colocada em causa a legitimidade de uma instituição decidir onde, quando e como anuncia aquilo que diz respeito à sua atividade”.
O jornal Opinião Pública, de Vila Nova de Famalicão, anunciou hoje a suspensão da publicação em papel por tempo indeterminado, por considerar que o novo formato do boletim municipal é “uma concorrência impossível de bater”.
O administrador do grupo Editave Multimedia, que detém aquele jornal, disse que se trata de um boletim municipal “travestido de jornal” e de “uma cópia perfeita de um jornal a sério”.
“E isso é perigoso, porque confunde quem lê e asfixia os jornais como o nosso, que apenas vive à custa dos seus anunciantes”, sublinhou Arcindo Guimarães.
A Câmara diz lamentar a decisão de suspensão da edição impressa do Opinião Pública, considerando tratar-se de um “título incontornável da imprensa local famalicense, com o qual a autarquia manteve, até à edição de hoje, uma relação institucional sempre pautada pelo maior respeito e profissionalismo, tanto para com as diferentes administrações que passaram pelo jornal, como pelos seus profissionais”.
Sublinha que o boletim municipal de Famalicão é uma publicação institucional editada pela autarquia desde a década de 80 e “está longe de ser um caso único no País, dada a existência de inúmeros boletins municipais que comungam da mesma filosofia do boletim famalicense”.
“Nestas mais de quatro décadas, o boletim municipal já conheceu vários formatos, coexistiu sempre no espaço público com os órgãos de comunicação social locais e nunca se posicionou como um produto concorrencial”, diz ainda.
Em causa está o lançamento, este mês, pela Câmara de Vila Nova de Famalicão, do “efe”, que resulta da reformulação do boletim municipal.
“Para além das alterações ao nível da designação, do design e do formato, o renovado boletim municipal de Famalicão apresenta também mudanças ao nível do conteúdo: deixa de ser uma publicação centrada na atividade autárquica, para ser também um instrumento de valorização do território e dos seus protagonistas”, refere o município famalicense.
A Associação Portuguesa dos Media Digitais Online (APMEDIO) já enviou uma comunicação à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), considerando que o lançamento do “efe” se assume como “um agravamento de práticas de comunicação institucional por parte de autarquias locais que poderão estar a ultrapassar o enquadramento legal aplicável e a afetar o funcionamento da imprensa regional independente”.
Para a Associação Portuguesa dos Media Digitais Online (APMEDIO), a publicação de Famalicão exibe “uma linha gráfica, editorial e informativa típica de um jornal generalista, ultrapassando o âmbito da informação administrativa e institucional que deve enquadrar a comunicação das autarquias”.
A associação sublinha que estes projetos representam uma “ocupação indevida do espaço mediático local”, uma vez que são financiados com recursos públicos, mas escapam às obrigações legais, económicas e deontológicas impostas aos verdadeiros órgãos de comunicação social.
A publicação é também criticada por praticamente toda a oposição.