A Bienal de Arte Contemporânea da Maia abre a 3 de julho, no Fórum da Maia, sob o tema “Fulgor” e apresenta mais de 400 obras artísticas, com destaque para a evolução da cena artística em Moçambique.
O tema da Bienal de Arte Contemporânea da Maia (BACM) parte das interrogações lançadas pela escritora Maria Gabriela Llansol, no seu discurso de aceitação do Grande Prémio do Romance e da Novela de 1991, onde questionou: “Como continuar o humano? Que sonho vamos nós sonhar que nos sonhe? Para onde é que o fulgor se foi?”
O curador da bienal, Manuel Santos Maia, explicou que faz sentido que o tema da exposição seja “Fulgor” porque as mais de 400 obras da bienal são de alguma forma “fulgurantes”.
“E porque é que são fulgurantes? São imagens às quais nos podemos ligar. Tentamos de alguma forma ler, ver, ou numa tentativa de compreender e parece que nos escapa. […] Como Llansol diz, nós somos lidos pelos poemas e também aqui nós somos lidos por estas obras de arte”, explica Manuel Santos Maia.
O evento de arte contemporânea que arranca no dia 3 de julho e se prologa por mais de três meses, terminando a 14 de setembro, apresenta trabalhos de pintura, fotografia, escultura, vídeo, desenho, instalação, realidade aumentada, ações performativas, criações musicais, trabalhos sonoros, múltiplos de artistas, publicações de artistas ou performances gastronómicas.
“A oferta é diversa e múltipla”, declarou Manuel Santos Maia, destacando que a “figura central da exposição” é Eduardo Batarda, um dos artistas mais influentes da pintura contemporânea portuguesa e que apresenta na exposição 15 peças.
As peças de Eduardo Batarda estão expostas na sala central da exposição da bienal e convivem de perto com instalações do jovem artista plástico portuense Pedro Moreira, de 24 anos, e várias esculturas de autores moçambicanos. Muitas dessas esculturas simbolizam a sociedade matriarcal que existe no Norte daquele país africano.
Manuel Santos Maia explicou que se justifica porque no dia 25 de junho Moçambique comemorou os 50 anos de independência, mas também porque muitos continuam “a pensar Moçambique com as imagens do passado”.
“Nestes 50 anos surgiram imensos artistas e nós apresentamos dois pilares do que são as artes plásticas em Moçambique – Malangatana Ngwenya e Alberto Chissano -, e toda a geração fulgurante que veio a seguir a eles como Gonçalo Mabunda, Estêvão Mucavele, mas também era importante invocar as escultoras macondes (pertencente ao grupo étnico bantu da região de Cabo Delgado, nordeste de Moçambique), como a Julia Nacheque, Reinata Sadimba ou Merina Amade”, explicou o curador da Bienal de Arte Contemporânea da Maia.
“São muitos mais artistas moçambicanos que dão conta destas cinco décadas”, observou, destacando também o trabalho do jovem pintor e escritor Ruben Zacarias, que vai apresentar uma grande pintura de exterior “numa lona em frente ao metro e também uma pintura no interior”.
Para o curador trata-se também de fazer justiça, pois muitos destes artistas moçambicanos passaram por Portugal, como Malangatana, que morreu em Matosinhos.
No dia 19 de julho, a programação da bienal vai ter oficinas, visitas-oficina para crianças, um concerto, uma performance gastronómica, ações performativas e a inauguração de exposições de múpis.
A Bienal de Arte Contemporânea da Maia (BACM) é de entrada livre.