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Histórica nadadora vila-condense Ana Catarina Monteiro tem foco em Vila do Conde e natação

4 Janeiro 2025
Histórica nadadora vila-condense Ana Catarina Monteiro tem foco em Vila do Conde e natação
Desporto
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A nadadora olímpica vila-condense Ana Catarina Monteiro pode ter-se despedido do alto rendimento em 2024, mas vai manter-se ligada a Vila do Conde, onde é vereadora na Câmara Municipal, e à natação, paixões de uma vida.
“Ainda gostava de contribuir para a geração atual e para as futuras de alguma forma. Como uma atleta que viveu tanto tempo no alto rendimento, a partilha de algumas experiências, se puder, com a minha experiência, contribuir para melhores condições para os atletas, estarei sempre disponível”, reforça Ana Catarina Monteiro.
A única mulher portuguesa a conseguir chegar a uma meia-final em Jogos Olímpicos quer seguir, então, “ligada ao desporto, contribuir para a evolução do desporto em Vila do Conde”, uma cidade que a tem “muito apaixonada” e em que é vereadora com os pelouros da juventude, relações internacionais e defesa do consumidor.
Licenciada em Bioengenharia, já tinha sido embaixadora da candidatura vila-condense a capital europeia da juventude 2026, tendo aos 31 anos um desígnio de “retribuir” à cidade.
“Deu-me muito. Consegui fazer todo o meu percurso em Vila do Conde, tive tudo o que precisava sem ter de sair de casa. Quero retribuir e dar o meu melhor para que cresça, e que posa dar um contributo nesse sentido”, afirma a nadadora olímpica vila-condense.
Quer também contribuir “para a melhoria das condições dos atletas”, depois de uma carreira sem paralelo na história da natação portuguesa, de que faz “um balanço positivo”.
“Nunca imaginei chegar onde cheguei. O caminho foi sendo gradual, passo a passo. Fui conquistando, e isso facilitou muito. Sempre que terminava uma competição, pensava em fazer um bocadinho melhor. Consegui sempre valorizar o que tinha feito. Pensava no que tinha conquistado e no que podia trabalhar para fazer melhor. Há uma certa diferença no valorizar cada resultado”, reflete Ana Catarina Monteiro.
O 11.º lugar em Tóquio2020, nos 200 metros mariposa, a sua distância predileta e em que é recordista nacional (2.08,03 minutos, em 2018), foi o ponto mais notório da carreira, como única mulher portuguesa a chegar a uma meia-final em Jogos Olímpicos, mas há muitos outros destaques.
A vila-condense logrou duas medalhas de prata em duas edições diferentes de Jogos do Mediterrâneo, competiu na International Swim League e foi quinta nos Europeus Glasgow2018, vivendo, aos 31 anos, uma nova fase, política, da vida, como vereadora na Câmara Municipal de Vila do Conde, tendo deixado o alto rendimento em 14 de julho.
No final de um 2024 que terminou ao serviço do ‘seu’ Clube Fluvial Vilacondense de sempre, nos Nacionais de clube, mantendo o emblema na primeira divisão, Ana Catarina Monteiro é uma das ausências notadas no alto rendimento nacional.
O trabalho fê-la perceber que, depois da prioridade dada à natação, podia encontrar noutras funções a mesma dedicação não só à natação, continuando a nadar e a treinar, a sentir “a paixão” pelas piscinas e o treino, como ao trabalho comunitário que sempre sobressaiu da sua postura.
Na ‘mudança da guarda’ na natação portuguesa, lembra uma “cumplicidade muito grande” com Ana Pinho Rodrigues, que muito elogia após partilhar o caminho com essa nadadora olímpica, no caso em Londres2012, e aponta para Camila Rebelo, Francisca Martins e Mariana Cunha, o futuro.
“Temos uma relação de amizade incrível. Esta passagem de testemunho é muito importante. A Tamila Holub também foi muito importante. Lembro-me de ir buscar a Tamila a Campanhã quando ela foi campeã da Europa [júnior, em 2016]. Acompanhei todo o percurso dela. A Tamila, mesmo assim, tem menos cinco ou seis anos, e trata-me por mãe! O passar várias gerações é muito importante. Nós tentamos passar a mensagem daquilo que vivemos, da nossa experiência, para os mais novos. Algumas atletas olharam-nos como exemplo e agora sentem que têm na mão delas a responsabilidade de liderança”, comenta a nadadora olímpica vila-condense.
Ana Catarina Monteiro elogia uma veterana que se mantém no seio desta ‘família’, Diana Durães, “com um caminho muito especial” e a quem caberá, porventura, “o papel de ser a líder do grupo”, com “muito para dar”.
“Foi com ela que partilhei grande parte do percurso, e todos os dias me ensinou que é possível fazer um bocadinho mais. Nunca vou esquecer o dia em que as duas alcançamos o mínimo olímpico [para Tóquio2020]”, remata Ana Catarina Monteiro.