A Professora vila-condense Helena Vila Cova lançou o livro “Histórias da Porta ao Lado”, escrito durante a pandemia de Covid-19.
“O livro “Histórias da Porta ao Lado” surgiu na minha vida como uma tábua de salvação”, diz a escritora vila-condense.
O que a inspirou a escrever o livro “Histórias da Porta ao Lado”?
O livro “Histórias da Porta ao Lado” surgiu na minha vida como uma tábua de salvação. Desde que me conheço, gostei de escrever. Apesar do seu poder transformador, durante muito tempo, perdi a inspiração, a motivação a dedicar-me a algo que tanto gosto. Mas as palavras continuavam a ecoar ao meu ouvido, sussurrando ao meu coração, que tinha de voltar a escrever. Aos poucos, o alento voltou e fui escrevendo em pedaços e em peças soltas de um puzzle ainda por construir. Em 2023 a minha vida mudou e eu mudei com ela. No meio do turbilhão que foi na minha vida, depois do diagnóstico de endometriose e adenomiose, decidi escrever um livro. O fantástico Dr. João Bernardes e a fantástica Dra. Lúcia ensinaram que a minha “vida também podia ter outros caminhos e não precisa de ser o caminho sem saída” e escrever foi o meu caminho. A escrita foi, para mim, uma ferramenta terapêutica poderosa nos momentos mais difíceis e fez com que me risse até doer a barriga nos momentos mais felizes da minha vida. Fui escrevendo porque precisava de escrever, sem nunca me esquecer que a vida real devia ser encarada e que estava pronta para a enfrentar.
Existe algum facto real, personagem ou obra que serviu como ponto de partida?
Na verdade, tudo o que lemos, vemos, ouvimos, acaba por fazer parte de nós, com as suas influências e o impacto que tem na nossa vida. O livro apresenta um conjunto de histórias que acabam por se interligar com a vida da personagem principal. E é isso que acontece na vida real, acabamos por nos cruzar com outras vivências, pessoas, momentos e o que fiz foi encaixar várias peças de puzzle.
Como desenvolveu os personagens da história?
Trabalhei no arco de transformação de cada um, refletindo sobre como os eventos vividos impactaram as suas vidas e personalidades. Para mim, foi importante explicar ao leitor como é que eles evoluíram de acordo com as experiências e desafios que enfrentaram. A minha intenção era que os leitores vissem ou se vissem nas personagens, criando, assim, uma conexão emocional. Para isso, procurei criar personagens com dilemas internos e vulnerabilidades, como cada um de nós.
Eles são baseados em pessoas reais ou são fruto da sua imaginação?
Embora as personagens sejam fictícias, é inevitável que elementos do mundo real, do meu mundo, tenham influenciado a sua criação. Muitas vezes, procurei traços ou experiências que já observei no mundo à minha volta. No fundo, são uma mistura da minha imaginação com inspiração, sem representar ninguém em específico.
Qual é o universo que fez com que criasse a sua história?
O quotidiano. As vivências e as experiências do dia a dia, de pessoas normais, como nós, com defeitos, qualidades, desafios e sonhos.
Quanto tempo levou para construir esse mundo e torná-lo real?
Não é possível definir uma data específica sobre o seu início e fim. Há histórias que eu já tinha criado, outras eram simples esboços. Mas o momento entre começar a esquematizar tudo como uma história final durou um ano, um ano e meio.
Qual foi a maior dificuldade que enfrentou durante o processo criativo? Como é que superou?
A maior dificuldade durante o processo de escrita foi lidar com o bloqueio criativo e com a autocrítica. Muitas vezes ficava presa na insegurança de não conseguir traduzir as ideias da forma que imaginava e questionava-me se era capaz. Depois, fui deixando fluir, reduzir a pressão e permitir-me errar, para depois melhorar. Esta liberdade foi essencial para superar os bloqueios.
Qual foi a maior dificuldade que enfrentou durante a escrita? Como é que superou?
A maior dificuldade enfrentada foi precisamente o estado físico e mental em que me encontrava. Como referi anteriormente, escrevia muito depois do diagnóstico, tratamentos, consultas e durante um pós-cirúrgico. O meu corpo pedia para parar e eu tinha de respeitar a sua vontade. Outras vezes, estava num estado de exaustão mental e aí necessitava de parar também. Fui ouvindo o meu corpo e a minha mente e fui adaptando o que queria fazer ao que o meu corpo e a minha mente permitiam.
Planeou toda a história antes de começar a escrever ou preferiu deixar a narrativa fluir?
Preferi deixar a escrita fluir e, só depois, fiz um esquema de como a história final chegaria aos leitores.
Quantas vezes reescreveu a versão final da história até chegar à versão final do livro?
Todas as vezes que lia, acrescentava sempre algo à história. Fiz ainda várias vezes a revisão do texto em si, e, como sou Professora de Português, acabei por fazê-lo inúmeras vezes.
Quais foram as maiores mudanças que fez?
As mudanças não foram de narrativa geral em si, mas como o livro apresenta várias histórias fui acrescentando conteúdo a cada personagem, traços de personalidade, momentos marcantes, relação com a história global.
Quanto tempo levou desde a primeira ideia até a publicação do livro?
Ora bem, a primeira ideia de escrever um livro, era eu uma pré-adolescente, por isso já foi há algum tempo. Contudo, a ideia de publicar este livro, com esta história, desta forma, cerca de um ano, um ano e meio.
Em que estilo se enquadra o livro “Histórias da Porta ao Lado”?
Ficção.
Já tem algum outro projeto em mente?
Projetos tenho muitos, mas, neste momento, estou a viver a experiência de ter publicado o meu primeiro livro. E tem sido incrível!
Pretende continuar a escrever dentro do mesmo género ou explorar novas temáticas?
Na verdade, gosto de explorar sempre novas temáticas, não ficar “presa” a um género específico.
Qual o conselho que daria a quem está a começar a escrever?
A escrita é uma forma de expressão e uma experiência de aprendizagem. Aproveitem a jornada e celebrem cada pequeno progresso.
Quais são os seus autores favoritos?
Esta é a pergunta mais difícil. Tenho tantos, tantos mesmo, mas deixo aqui, claramente, os nomes mais impactantes para mim, os clássicos: Fiódor Dostoiévski, Clarice Lispector, Gabriel García Márquez, Eça de Queirós, George Orwell, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, mas gosto de ler vários géneros e aprecio muito autores, como Elisabeth Strout, Elena Ferrante, Paul Auster. Continuava com tantos outros.
Quais são os livros que recomenda (sugestão de leitura)?
“Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski, “Cem anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, e “1984”, de George Orwell, são os meus livros favoritos. No entanto, existem muitos livros que considero fantásticos. Podem visitar a minha página do instagram, helenavilacova, e, de vez em quando, partilho sugestões de livros.
“Camila encontra-se confinada no seu apartamento, devido à pandemia provocada pela Covid-19. Com o mundo lá fora em suspenso, ela mergulha no universo íntimo dos seus vizinhos, descobrindo um mosaico de vidas, sonhos e desafios. Das janelas ao outro lado da rua, cada vizinho tem uma história única a ser contada, revelando também a força da comunidade em tempos de crise. Ao lembrar e relembrar as histórias dos outros, Camila procura conhecer também a sua história, descobre segredos enterrados no passado e desvenda os mistérios que moldaram a sua própria vida. À medida que os detalhes do romance dos seus pais são revelados, ela é levada por uma jornada de autodescoberta, confrontando verdades dolorosas e redescobrindo o poder do amor verdadeiro. Uma história que prova que os laços afetivos transcendem o tempo e as adversidades. Este livro oferece uma visão sensível e inspiradora da resiliência humana diante da adversidade”, pode ler-se na sinopse do livro “Histórias da Porta ao Lado”, da Professora vila-condense Helena Vila Cova.