Os Tapetes de Flores de Vila do Conde, que se realizam de quatro em quatro anos, deveriam realizar-se este ano no dia do Corpo de Deus, a 3 de junho, mas devido à pandemia de Covid-19 não vão ser elaborados. No entanto, a autarquia vilacondense programou um conjunto de iniciativas para evocar a tradição.
No dia do Corpo de Deus vai ser possível ver os edifícios, por onde passa habitualmente a procissão, decorados com coroas e grinaldas de flores naturais, a exposição Revisitar os Tapetes de Flores, de 16 painéis com imagens de arquivo e um documentário com testemunhos da construção da tradição histórica no Teatro Municipal de Vila do Conde.
Os Tapetes de Flores são um acontecimento invulgar, que resulta do esforço da comunidade vilacondense para reforçar a identidade da cidade no país e no mundo. Mas desengane-se quem pensa que surgem da noite para o dia, uma vez que são semanas de trabalho até ao dia do Corpo de Deus para o resultado final dos mantos coloridos.
A realização dos Tapetes de Flores é uma tradição secular, cuja data mais antiga remonta a 1466, que embeleza as ruas do centro histórico de Vila do Conde e atrai milhares de visitantes.
Os moradores da zona histórica de Vila do Conde desfolham toneladas de flores, folha a folha, pétala a pétala, e, aos poucos, vão enchendo caixas de papelão onde se conservam bucho, funcho e pampilhos, os primeiros a serem desfolhados. Aos verdes, vão depois juntar-se os pampilhos amarelos e não tarda chegam ainda as rosas e as granjas, que, por causa da conservação, são as últimas a serem desbulhadas.
A par de tudo isto, há aqueles que se dedicam apenas à conceção das formas, desenhando os motivos e construindo o que vai dar a forma aos Tapetes de Flores.
Ao longo da madrugada do dia do Corpo de Deus, os moradores das ruas da zona histórica de Vila do Conde preenchem os cerca de 3 quilómetros de Tapetes de Flores naturais para que, durante o dia, milhares de pessoas desfrutem dos mantos coloridos.