O rio Ave subiu, transbordou as margens e obrigou ao corte do trânsito na Rua das Calçadas, que liga Vila do Conde à freguesia de Touguinha, inundando várias casas nas redondezas, os armazéns da Câmara Municipal de Vila do Conde e as instalações da fábrica da Fricon.
A rua das Calçadas, em Touguinha, ficou completamente submersa ao longo de mais de 500 metros, em muitos dos locais com cerca de meio metro de água, não permitindo o acesso aos armazéns da Câmara de Vila do Conde, às instalações da empresa Fricon e ao Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde.
Em Touguinhó, devido às cheias do rio Ave, o rio Este também transbordou e inundou habitações.
Devido às cheias do rio Ave, algumas garagens e habitações ficaram ainda inundadas junto ao Agrupamento de Escolas D. Afonso Sanches de Vila do Conde.
Segundo a autarquia vila-condense, a subida do caudal do rio Ave deveu-se a descargas na barragem do Ermal, a montante, que levaram ao alagamento temporário da estrada de acesso às instalações municipais.
A situação, de acordo com a câmara, estava a ser acompanhada desde domingo pelos serviços técnicos, permitindo a adoção antecipada de medidas preventivas.
Entre essas ações estiveram a reorganização logística, a salvaguarda de equipamentos e materiais, a definição de rotas alternativas para as equipas no terreno e o ajustamento das operações planeadas.
Segundo a autarquia, graças a essa atuação, os serviços de higiene e limpeza urbana e de manutenção municipal mantiveram-se totalmente operacionais ao longo do dia, assegurando o cumprimento das tarefas essenciais em todo o concelho, sem impacto direto para a população.
Em vários pontos do concelho de Vila do Conde foram notados os efeitos do aumento do caudal do rio Ave, não só devido às descargas na barragem, mas também à forte precipitação e à subida das marés, que dificultaram o escoamento da água para o mar.
Em zonas mais baixas e com menor capacidade de drenagem, como a área de Formariz, junto à Escola Secundária Afonso Sanches, registaram-se maiores constrangimentos, com inundações em garagens, campos agrícolas e vias de circulação.
O presidente da Câmara de Vila do Conde, Vítor Costa, afirmou que o município está a acompanhar “de forma permanente” a evolução das condições meteorológicas e hidrológicas, em articulação com os serviços municipais, a proteção civil, os bombeiros e as restantes entidades envolvidas.
“Estamos perante um fenómeno excecional, com precipitação muito intensa conjugada com marés elevadas e descargas das barragens, fatores que naturalmente aumentam o risco de cheias e inundações. Situações desta natureza podem ocorrer quando se reúnem estas circunstâncias”, afirmou o autarca vila-condense.
Vítor Costa adiantou que, desde o primeiro momento, as equipas estão no terreno a monitorizar os pontos mais críticos e a intervir sempre que possível, com o objetivo de “minimizar impactos e apoiar as populações afetadas”.
O presidente da câmara alertou ainda para a previsão de agravamento das condições meteorológicas durante a noite, garantindo que os meios municipais e de proteção civil permanecem em alerta máximo.
“Não é momento para alarmismos, mas sim para prudência, acompanhamento responsável e cumprimento das recomendações das autoridades. A Câmara Municipal continuará a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para reduzir os estragos e garantir a segurança das pessoas e dos bens”, concluiu o Presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde.