As duas mulheres encontradas sem vida este domingo, 5 de julho, no interior de uma estufa na freguesia da Estela, na Póvoa de Varzim, eram irmãs. Florinda Ferreira, de 76 anos, e Maria Ferreira, de 73 anos, terão sido vítimas das temperaturas extremas que têm assolado o país.
As idosas residiam juntas e a mais velha, Florinda, assumia o papel de cuidadora de Maria, que sofria de uma deficiência cognitiva. No sábado, dia 4 de julho, deslocaram-se à estufa com o objetivo de recolher produtos hortícolas para a Feira da Estela, onde habitualmente faziam vendas de domingo.
A principal linha de investigação aponta para que Florinda se tenha sentido mal devido ao calor sufocante – num dia em que as temperaturas em Portugal atingiram os 44ºC. Sem capacidade para pedir auxílio, a irmã mais nova permaneceu ao seu lado, acabando ambas por falecer no local.
O trágico cenário foi descoberto na manhã de domingo por familiares, que estranharam a ausência das irmãs na feira e, ao não as encontrarem em casa, decidiram procurá-las na estufa. O alerta às autoridades foi registado às 10:57H. Os Bombeiros da Póvoa de Varzim deslocaram-se de imediato para o local, contudo, os óbitos já tinham ocorrido há várias horas.
A Polícia Judiciária (PJ) foi acionada para o caso e, após as primeiras diligências, descartou quaisquer indícios de crime.
Jorge Rosa, funcionário de uma estufa vizinha na localidade da Estela, explicou que a rotina das irmãs passava por ir diariamente àquele espaço de cultivo.
“Vimos as duas a chegarem cá, num pequeno trator que tinham e depois fomos almoçar. Nem sei se elas foram almoçar, se não foram. Se ficaram lá o dia todo e só foram descobertas no domingo”, relatou o trabalhador o último momento em que as viu no sábado.
De acordo com a testemunha, o avistamento aconteceu entre as 10:00 e as 11:00. Apesar de ainda ser cedo, as condições climatéricas já eram muito adversas na Póvoa de Varzim: “já estava muito calor, foi um dia fora do normal”, com temperaturas a aproximarem-se dos 40ºC na Póvoa de Varzim e com “mais 4ºC, 5ºC, 7ºC no interior das estufas”.
Jorge Rosa detalhou ainda que os trabalhadores da zona costumam alterar os seus horários em dias de calor extremo para evitar as horas críticas: “eram 11:30 já não podíamos estar dentro das estufas, fomos embora almoçar e depois só viemos ao final da tarde”, garantiu.
O jovem relatou também o ambiente vivido no domingo de manhã, quando o alerta foi dado por familiares: “estávamos aqui e vimos um casal no domingo de manhã a chorar e ao telemóvel. Foram para o início da estrada e percebemos que se passava alguma coisa, não sabíamos era o quê. Depois vimos várias pessoas e começaram a falar o que se tinha passado”, lembrou.
As irmãs Florinda Ferreira, de 76 anos, e Maria Ferreira, de 73 anos, que eram conhecidas por todos na freguesia da Estela, teriam sido avisadas sobre a onda de calor do fim de semana.
A irmã mais velha era cuidadora da mais nova, que teria um problema cognitivo.
“Os filhos diziam para ela não sair com este tempo, mas ela gostava disso. Era a vida dela. Era uma pessoa muito generosa, mesmo muito boa pessoa”, conta Fernando Maciel, amigo das vítimas.
Os corpos das duas vítimas foram encaminhados para o Instituto de Medicina Legal, onde serão submetidos a autópsias para apurar as causas exatas das mortes.
A investigação está agora nas mãos da Polícia Judiciária (PJ).