Última hora

Africa Futures Center quer ter projeto de transição energética em África em dois anos

5 Abril 2025
Africa Futures Center quer ter projeto de transição energética em África em dois anos
Tecnologia
0

A diretora do Africa Futures Center disse, em Matosinhos, acreditar ser possível ter no terreno, “num prazo de dois anos”, em parceria, um projeto de transição para energias renováveis num país africano.
Em declarações, à margem do seminário “Diálogo África-Europa – Sinergias para um Futuro Sustentável”, que decorreu na Porto Business School (PBS), Cândida Santos disse que a entidade, que “desenvolve uma relação cross-continental com África através de parcerias inovadoras, intercâmbio de conhecimentos e liderança inclusiva”, quer aproveitar o ímpeto europeu de descarbonização para gerar investimento no continente africano.
“Sendo a energia uma temática na ordem do dia, esta necessidade que a Europa definiu como prioritária de descarbonizar e tendo África um potencial” nesta área, “importa avaliar como podemos desenvolver sinergias para aportar conhecimento, valor, experiência a todos estes ‘players’”, explicou.
No seminário que decorreu na escola sediada em Matosinhos participaram a Ministra do Ambiente e Energia, Maria de Graça Carvalho, que enviou uma mensagem vídeo, e o administrador executivo da Sonangol (empresa estatal do ramo petrolífero de Angola), Osvaldo Inácio.
“Trouxemos aqui hoje pessoas do Governo português e de Angola, da Sonangol, para partilharem connosco as suas estratégias, o que é que eles têm definido para esta transição energética e tirar daí todo o partido que possa haver de aprendizagens recíprocas”, explicou Cândida Santos.
Como foco principal do projeto, a diretora deste centro do Innovation X Hub da Porto Business School (PBS) apontou os países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), “por ser mais fácil agilizar todos os diálogos”.
No necessário levantamento para conhecer a realidade, Cândida Santos revelou haver “contactos com Cabo Verde e com Moçambique”, sendo certo que a aposta passa pela “transição para energias renováveis” num continente “que até 2050 vai duplicar a população”.
“Onde estiverem as pessoas é onde vai estar a economia”, disse, salientando que o objetivo é “conseguir o equilíbrio entre o desenvolvimento e o bem-estar social”, pois “o bem-estar das sociedades é incontornável”.
Cândida Santos disse que a entidade está alinhada com os alertas da União Africana de “que a transição energética tem de ser justa, tem de ser inclusiva, tem de ser equitativa, garantindo que ninguém fica para trás”.
“Esta é a nossa mensagem. Não é só desenvolvimento económico ou produção de energia a qualquer preço. Nunca. Não seríamos nós a estar nesses projetos”, garantiu.
E apesar de não haver ainda “uma geografia definida” para instalar o primeiro projeto, a responsável afirmou que ficaria “contente com um primeiro projeto implantado daqui a dois anos”.
“Seria ambicioso, mas é exequível”, acrescentou.
Para tal, o Africa Futures Center quer convencer “empresas, mas também governos, todos os que interferem, todos os que têm uma palavra a dizer”.
“Há muitas mais empresas já no terreno do que aquilo que nós sabemos ou, sequer, imaginamos, mesmo empresas portuguesas, que estão na área das energias renováveis, a terem uma atividade já consertada e sólida em África”, acrescentou a diretora do Africa Futures Center.