A tarde da passada quinta-feira ficou marcada por um atropelamento na passadeira da Rua 5 de Outubro junto à Rotunda dos Fundadores, em Vila do Conde, perto da bomba de combustíveis Auto-Bemguiados e do hipermercado Auchan.
Após a assistência, a vítima foi conduzida diretamente para o Hospital de São João, no Porto, para ser submetida a exames de diagnóstico, embora o prognóstico no local fosse de a mulher ter ferimentos graves.
Segundo fonte dos Bombeiros de Vila do Conde, o alerta foi dado pouco depois das 15:30 horas para um atropelamento na passadeira da Rua 5 de Outubro, junto à Rotunda dos Fundadores, também conhecida por Rotunda dos Bemguiados, que obrigou à mobilização de uma ambulância e dois elementos dos Bombeiros vila-condenses e à Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da Polícia de Segurança Pública (PSP).
Segundo dados estatísticos tornados públicos pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), entre 2018 e 2022, uma pessoa morreu atropelada a cada três dias em Portugal e a probabilidade de isso ter acontecido numa passadeira é grande, visto que mais de 40% dos atropelamentos são nas passadeiras.
Nos últimos cinco anos, cerca de 25 mil pessoas foram atropeladas em Portugal. A grande maioria sofreu ferimentos ligeiros, mas 527 morreram, o que significa que, em média, a cada três dias há uma vítima mortal por atropelamento no País. Além disso, quase duas mil ficaram feridas com gravidade, incluindo com lesões permanentes. Durante a pandemia de Covid-19 houve uma redução nos atropelamentos, mas o número voltou a aumentar em 2022 e houve sinais de nova subida no início de 2023.
A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) ainda não tornou públicos os dados de 2023 e 2024, mas parece que a tendência de atropelamentos em Portugal tem vindo sempre a subir.
Portugal é o país da Europa Ocidental com mais mortes de peões por milhão de habitantes e os especia¬listas frisam que estas mortes podem ser evitadas, mas, para isso, é preciso mais ação dos governos e das autarquias.
“Em qualquer cidade, a distribuição geográfica dos atropelamentos não é alea-tória. Se acontecessem por uma questão de azar, cultura ou falta de civismo, distribuíam-se por todo o lado, mas há zonas de acumulação que apontam claramente para a existência de fatores estruturais, sobre os quais podemos agir com eficácia”, afirmou Pedro Homem de Gouveia, ex-coordenador do plano de acessibilidade pedonal de Lisboa durante 10 anos e é hoje responsável pela Área de Segurança Rodoviária da POLIS.